Mais um ônibus na minha vida
Fala meu caro leitor! Que bom que você chegou aqui. Só para lembrar, esse post é continuação do Descobri que moto não entra em ônibus. Caso você não tenha lido ainda, recomendo. Boa leitura!
Meu último acidente, até o momento que vos escrevo e espero não ter que lançar uma nova edição para adicionar outro, também foi com ônibus, só que dessa vez eu estava absolutamente certo e não tive culpa e nem como evitar!
Em um belo sábado de sol de verão, com minha Nega (uma Shadow 750 VT 2014 linda que vou falar sobre ela mais para frente) estava eu seguindo em direção da concessionária da Triumph no Rio de Janeiro para uma palestra sobre viagens longas etc. Nessa palestra ia rolar um café da manhã para os convidados e eu queria chegar cedo para pegar um bom lugar pois no meio do ano eu faria uma viagem do Rio de Janeiro para Brasília. Antes de partir para a garagem e seguir rumo a Triumph decido eu, malandro que sou, não usar a jaqueta (novamente). Nathi (minha esposa) vira para mim e fala: “Você tem certeza que não vai de jaqueta?”, “Amor, está quente demais! Confia no pai que o inimigo cai!” Só que quem caiu fui eu…
Quase chegando na concessionária, e com um calor desgraçado, descomunal e desumano do verão do Rio 40 graus, estou eu na minha pista tranquilamente a uns 70km/h quando de repente… Chão, céu, chão, céu, carro dando freada para não me atropelar e PUTA QUE PAREEEEEEEU, caí de novo! Levei uma trauletada de um ônibus que resolveu mudar de faixa e não me viu. Eu estava no meio da pista, na velocidade permitida e ele me joga no chão de bobeira, só para deixar meu início de ano mais emocionante (isso foi em janeiro de 2019). Me levantei, a GoPro na frente do capacete (que não estava gravando) foi parar sei lá onde, o capacete (graças a Deus era fechado) estava faltando um pedaço na frente e eu estava todo ralado.

Parecia que alguém tinha vindo com uma faca de churrascaria e tinha arrancado a tampa da peça de carne novinha. A Nega estava toda torta, setas quebradas, paralama quebrado, banco rasgado, guidão empenado, cabo do acelerador e freio arrebentado, espelhos quebrados… Essa dava mais dó que a V-Strom e eu estava cheio de dor no corpo inteiro, sem contar a ardência de uma ralada de leve no chão quente de verão do Rio de Janeiro. Sem sombra de dúvida esse foi o pior acidente de todos que contei aqui e, por ser “especial”, segue uma foto de um cara ferrado, sereno esperando atendimento na emergência do hospital. Veja a serenidade de quem acabou de se fu!

Diferente do último acidente, dessa vez o motorista não tirou o dele da reta, assumiu que estava errado, me ajudou a recolher os pedaços de tudo que tinha quebrado. Liguei para a polícia, para meu pai que é meu corretor de seguros, para o Leandro (amigo e advogado) e para a Nathi, que quase teve um infarto e saiu voada para o local do acidente. Mas, a parte mais bizarra estava por vir… Estava eu todo ralado, sentindo dor para cassete quando me chega um sem noção que estava no ônibus, para do meu lado e pergunta: “Pô irmão, está doendo né?” Com vontade de falar “O que você acha?” respondi educadamente “Bastante” e eis que vem a nova pergunta “Posso bater uma foto do machucado para mandar pro pessoal?” eu fiquei olhando para a cara dele com vontade de mandar ele para alguns lugares e respondi “É sério isso?” e o sem noção ainda insistiu “Não vou bater foto da sua cara não”. Olha, contando agora eu começo a rir, mas na hora eu fiquei olhando alguns segundos para ele sem acreditar e respondi “Bate sua foto aí e me deixa quieto”.
Enquanto esperava a polícia, o SAMU (que por sinal não apareceu), Nathi, papagaio e periquito, olho para outro lado da rua e avisto uma concessionária da Honda. Novamente acionei meu seguro e mandei a moto para lá pois, mesmo com o motorista assumindo, eu estava certo de que precisaria entrar na justiça para receber o valor do conserto da moto, indenização, valor do capacete AGV que foi pro saco etc. Enquanto eu ia para o hospital, meu sogro agilizava o envio da moto de reboque para a concessionária e meu pai agitava o que precisava agitar do seguro. Nesse dia fiz uma promessa que nunca mais andaria sem jaqueta, promessa essa que já quebrei inúmeras vezes pelo mesmo motivo… Calor. Naquela noite eu tive a pior noite da minha vida, dormi, ou melhor, tentei dormir sentado no sofá com o ar-condicionado ligado e ventiladores em cima de mim tamanho era a ardência doa ferimentos.
A Neguinha ficou na Honda por alguns dias até eu receber o orçamento para o conserto. Quase cai duro no chão e na hora comecei a pesquisar minha nova moto, pois ela tinha dado perda total. O valor da Shadow na tabela FIPE na ocasião era de R$ 24.400,00 e o valor para arrumar ela foi de R$ 30.600,00. A empresa de ônibus, por incrível que pareça, entrou em contato comigo para fazer um acordo e assumiu o prejuízo que tive com telefone, capacete, medicamentos etc. Mas eu já havia dado entrada no seguro e já estava com o dinheiro para comprar a próxima moto. Conclusão, comprei uma moto nova, uma Vulcan S 650 laranja que, carinhosamente, chamei de Ruiva.
Resumo da ópera, use EPI mesmo em dias de calor (isso serve de lembrete para mim que perdi a vergonha e não uso as vezes). Algum motorista de ônibus pode querer me colocar para dentro a força.